Nasci
em 11 de junho de 1955, véspera do Dia dos Namorados aqui no Brasil, sob o
signo de Gêmeos e o céu e sol do Rio de Janeiro. Os comentários sobre a minha
infância? Abria mão de qualquer brincadeira pra ficar lendo; por várias vezes
me pegavam lendo os jornais velhos que tinham por hábito forrar no assoalho recém-encerado...
nem por isso deixei de ser uma aluna média tendendo a medíocre, graças à
aversão às matérias (por demais) lógicas.
A
idéia de usar o jornalismo como um veículo de denúncias, de protesto,
esbarrou na burocracia da recém-criada Faculdade de Comunicação, que não
consegui levar até ao final. Em minha cabeça pensante de pós-adolescente
questionadora não encontrava razões pra um Curso assim constituído, se tantos
bons jornalistas tínhamos, na época, sem que nem tivessem passado pela vida
acadêmica. Também durante esta época já trabalhava em uma editora e estava
assim, de certa maneira saciada a necessidade de leituras, de livros, de
pesquisas e até daquele gostinho do material pronto, do
prazer físico em ter nas mãos o produto do seu intelecto, inda que não
uma obra literária.
Brinco
que durante muitos anos o que eu escrevia eram listas de compras para
supermercado.
Minha
timidez sempre me impediu de sair por aí divulgando meus textos.
Aos
poucos, através de listas de discussão na Net, sem querer deixava escapar
alguma resposta a algum poema e as pessoas gostavam. Os amigos foram e são os
grandes incentivadores. Por isso digo que “me dizem poeta”.
Escrever,
pra mim, é como conversar (só que muito mais fácil, já que as palavras
escritas fluem com mais naturalidade).
Gosto
das manhãs, do acordar me sentindo integrada à natureza, ao mundo, à vida.
Gosto
das pessoas, até mesmo da tolerância que por vezes me obrigo a ter com elas
(acho que é um exercício de crescimento).
Injustiça
— principalmente a social — me incomoda, mais que tudo (e muitas vezes me
obrigo a uma alienação para me preservar).
Tenho
uma sensação de felicidade plena ao passear pelas ruas da minha cidade. A
certeza de que “o melhor lugar do mundo é aqui, e agora”. Aprendi a ver a
violência urbana como fatalidade: acontece quando tem de acontecer.
Apesar
de já ter concluído o ciclo plantar uma árvore—ter filhos—escrever um
livro (considero uma HP como um livro), “só sei que nada sei”. E estou
ainda ávida por aprender.
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